
Por José António Carvalho
Faturação com cartões nacionais disparou 12% e impulsionou subida do consumo, enquanto procura estrangeira desacelerou face ao ano anterior
O consumo em Portugal voltou a acelerar em 2025, com a rede de pagamentos da UNICRE a registar um crescimento global de 9% na faturação, segundo os dados do relatório REDUNIQ Insights. O aumento foi impulsionado sobretudo pelo mercado interno, numa altura em que os consumidores portugueses assumem maior protagonismo no dinamismo económico nacional.
De acordo com o estudo, a faturação gerada por cartões nacionais cresceu 12% face a 2024, tornando-se o principal motor da evolução da rede REDUNIQ. Em contraste, o consumo proveniente de cartões estrangeiros avançou apenas 2%, evidenciando uma desaceleração significativa face ao ano anterior.
Além disso, o número total de transações subiu 10%, enquanto o ticket médio recuou 1%. Estes indicadores mostram que os portugueses compram mais vezes, mas gastam menos em cada operação.
Consumo abranda na segunda metade do ano
Ao longo de 2025, o crescimento do consumo revelou maior intensidade durante os meses de verão e no último trimestre, períodos tradicionalmente associados a férias, campanhas promocionais e compras de Natal. Ainda assim, a segunda metade do ano trouxe sinais de abrandamento transversal à maioria dos setores e regiões.
Segundo Tiago Oom, Head of Merchant Acquiring da UNICRE, os dados mostram consumidores mais ativos, mas também mais prudentes na gestão do orçamento familiar.
“O aumento do número de transações, sem crescimento proporcional no valor médio por compra, mostra que os consumidores estão mais criteriosos e atentos às suas decisões de consumo”, destacou o responsável.
Entre os setores com melhor desempenho estiveram os combustíveis, com uma subida de 35%, seguidos pelo retalho alimentar tradicional, que cresceu 19%, e pela saúde, que avançou 16%.
Hotelaria e turismo perdem dinamismo
Já a restauração cresceu apenas 5% em 2025, abaixo dos 12% registados no ano anterior. Mais expressiva foi a quebra no setor da hotelaria e atividades turísticas, que recuou 5%, penalizado pela descida de 7% no consumo estrangeiro e pela estagnação da procura nacional.
Regionalmente, Leiria destacou-se com o maior crescimento da faturação, ao subir 24%, seguida da Guarda com 19%. Em sentido contrário, Madeira, Faro, Açores e Lisboa registaram desempenhos mais moderados, reforçando sinais de abrandamento nas zonas mais dependentes do turismo.
Por fim, o relatório mostra que o contactless continua a ganhar terreno em Portugal. Esta modalidade já representa 71% da faturação total e 85% do número de transações na rede da UNICRE.
Fonte: UNICRE



