
Por José António Carvalho
A indústria da moda é atualmente um dos setores com maior impacto ambiental a nível global. Isto acontece, devido ao elevado consumo de recursos naturais, à produção excessiva de resíduos têxteis e às significativas emissões de gases com efeito de estufa.
Um modelo de consumo rápido com custos ambientais cada vez mais elevados
Por isso, o crescimento do fast fashion, baseado em ciclos de produção rápidos, preços baixos e consumo descartável, tem contribuído para agravar estes problemas ambientais. Todos os anos são produzidas milhares de milhões de peças de vestuário, muitas das quais são usadas apenas durante um curto período antes de serem descartadas, acabando maioritariamente em aterros ou incineradas.
A produção têxtil implica ainda um consumo intensivo de água e a utilização de produtos químicos poluentes. Por essa razão, são responsáveis pela contaminação de solos e cursos de água, com impactos diretos nos ecossistemas e nas comunidades locais. Paralelamente, o uso generalizado de fibras sintéticas, como o poliéster, contribui para a libertação de microplásticos nos oceanos, agravando a poluição marinha. Apesar de algumas marcas de moda estarem a investir em sustentabilidade, economia circular e materiais reciclados, estas iniciativas continuam a ser insuficientes face à dimensão do problema.
Neste contexto, a redução do impacto ambiental da moda exige mudanças estruturais na indústria, maior regulação e uma transformação dos hábitos de consumo, com aposta na durabilidade, reutilização e escolhas mais conscientes por parte dos consumidores.
Fonte: Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP)



