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CULTURA & LAZER

Cândido Mota: no adeus, o silêncio substituiu a presença

Caixão de Cândido Mota durante a saída da igreja na cerimónia fúnebre.
A urna de Cândido Mota é transportada para o exterior da igreja durante a cerimónia de despedida | Foto: José A. Carvalho

Por José António Carvalho

Poucos estiveram presentes na despedida de alguém que, em vida, foi amigo de muitos

Há despedidas que deixam silêncio. Depois, existem despedidas que deixam perguntas difíceis de ignorar.

Desta forma, a morte de Cândido Mota trouxe exatamente isso. Não apenas a dor da perda, mas também uma reflexão profunda sobre aquilo em que a sociedade se está a transformar. Estive presente na igreja e, mais tarde, no cemitério. Vi o último adeus. Ou melhor, vi a ausência dele.

Por isso, para alguém que, em vida, foi reconhecido por tantos, elogiado por muitos e considerado amigo de incontáveis pessoas, a despedida acabou marcada por uma presença reduzida. Poucos estiveram lá. Poucos fizeram questão de acompanhar aquele que, durante anos, marcou a vida de tanta gente com a sua personalidade, presença e humanidade.

Uma sociedade cada vez mais distante da presença humana

Porém, perante este cenário, torna-se impossível não questionar: para onde caminha a sociedade?

Entretanto, as homenagens multiplicam-se rapidamente nas redes sociais. Os elogios surgem com facilidade. As palavras “amigo”, “irmão” ou “família” aparecem constantemente nas publicações e comentários. No entanto, no momento em que realmente importa, muitos desaparecem. O silêncio substitui a presença. A distância vence a gratidão.

Contudo, Cândido Mota merecia mais. Merecia uma igreja cheia. Merecia mais abraços, mais rostos conhecidos e mais pessoas no seu último percurso. Porque uma pessoa não deve ser lembrada apenas nas palavras ditas em vida. Deve também ser honrada na despedida.

No fim, ficam os que realmente estiveram presentes

Ficam os que realmente estiveram presentes. Os poucos que não precisaram de discursos para demonstrar respeito e todos aqueles que compreenderam que despedir-se de alguém continua a ser um dos maiores atos de humanidade.

Talvez seja precisamente aí que esteja a resposta mais dura de todas: a sociedade fala cada vez mais sobre amizade, mas pratica cada vez menos a presença.

A última mensagem de Cândido Mota emocionou a despedida

Cerimónia fúnebre de Cândido Mota durante o último percurso no cemitério.
O último percurso de Cândido Mota | Foto: José A. Carvalho

Durante a cerimónia, Paulo Raimundo, líder do PCP, emocionou-se ao ler, em exclusivo para o Twenty4news, uma citação utilizada na pagela feita para a cerimónia com uma citação do Cândido:

“A única coisa que eu gostaria de deixar para os que me são mais próximos é a honestidade de olharmos para nós próprios com olhos de ver, com uma mentalidade aberta, sem termos medo dos defeitos e sem endeusarmos as nossas qualidades”. Palavras que acabaram por marcar profundamente todos os presentes naquele momento de despedida.

Um testamento de humildade intelectual e emocional. É uma proposta de vida que foge aos clichés da autoajuda moderna, muitas vezes centrada apenas no “pensamento positivo”, e mergulhada numa honestidade mais crua.

Uma mensagem simples, humana e carregada de reflexão. Talvez também um último lembrete sobre aquilo que realmente importa na vida: a capacidade de olhar para os outros — e para nós próprios — com verdade, humanidade e presença.

Cândido Mota: no adeus, o silêncio substituiu a presença

Caixão de Cândido Mota durante a saída da igreja na cerimónia fúnebre.
A urna de Cândido Mota é transportada para o exterior da igreja durante a cerimónia de despedida | Foto: José A. Carvalho

Por José António Carvalho

Poucos estiveram presentes na despedida de alguém que, em vida, foi amigo de muitos

Há despedidas que deixam silêncio. Depois, existem despedidas que deixam perguntas difíceis de ignorar.

Desta forma, a morte de Cândido Mota trouxe exatamente isso. Não apenas a dor da perda, mas também uma reflexão profunda sobre aquilo em que a sociedade se está a transformar. Estive presente na igreja e, mais tarde, no cemitério. Vi o último adeus. Ou melhor, vi a ausência dele.

Por isso, para alguém que, em vida, foi reconhecido por tantos, elogiado por muitos e considerado amigo de incontáveis pessoas, a despedida acabou marcada por uma presença reduzida. Poucos estiveram lá. Poucos fizeram questão de acompanhar aquele que, durante anos, marcou a vida de tanta gente com a sua personalidade, presença e humanidade.

Uma sociedade cada vez mais distante da presença humana

Porém, perante este cenário, torna-se impossível não questionar: para onde caminha a sociedade?

Entretanto, as homenagens multiplicam-se rapidamente nas redes sociais. Os elogios surgem com facilidade. As palavras “amigo”, “irmão” ou “família” aparecem constantemente nas publicações e comentários. No entanto, no momento em que realmente importa, muitos desaparecem. O silêncio substitui a presença. A distância vence a gratidão.

Contudo, Cândido Mota merecia mais. Merecia uma igreja cheia. Merecia mais abraços, mais rostos conhecidos e mais pessoas no seu último percurso. Porque uma pessoa não deve ser lembrada apenas nas palavras ditas em vida. Deve também ser honrada na despedida.

No fim, ficam os que realmente estiveram presentes

Ficam os que realmente estiveram presentes. Os poucos que não precisaram de discursos para demonstrar respeito e todos aqueles que compreenderam que despedir-se de alguém continua a ser um dos maiores atos de humanidade.

Talvez seja precisamente aí que esteja a resposta mais dura de todas: a sociedade fala cada vez mais sobre amizade, mas pratica cada vez menos a presença.

A última mensagem de Cândido Mota emocionou a despedida

Cerimónia fúnebre de Cândido Mota durante o último percurso no cemitério.
O último percurso de Cândido Mota | Foto: José A. Carvalho

Durante a cerimónia, Paulo Raimundo, líder do PCP, emocionou-se ao ler, em exclusivo para o Twenty4news, uma citação utilizada na pagela feita para a cerimónia com uma citação do Cândido:

“A única coisa que eu gostaria de deixar para os que me são mais próximos é a honestidade de olharmos para nós próprios com olhos de ver, com uma mentalidade aberta, sem termos medo dos defeitos e sem endeusarmos as nossas qualidades”. Palavras que acabaram por marcar profundamente todos os presentes naquele momento de despedida.

Um testamento de humildade intelectual e emocional. É uma proposta de vida que foge aos clichés da autoajuda moderna, muitas vezes centrada apenas no “pensamento positivo”, e mergulhada numa honestidade mais crua.

Uma mensagem simples, humana e carregada de reflexão. Talvez também um último lembrete sobre aquilo que realmente importa na vida: a capacidade de olhar para os outros — e para nós próprios — com verdade, humanidade e presença.

Cândido Mota: no adeus, o silêncio substituiu a presença

Caixão de Cândido Mota durante a saída da igreja na cerimónia fúnebre.
A urna de Cândido Mota é transportada para o exterior da igreja durante a cerimónia de despedida | Foto: José A. Carvalho

Por José António Carvalho

Poucos estiveram presentes na despedida de alguém que, em vida, foi amigo de muitos

Há despedidas que deixam silêncio. Depois, existem despedidas que deixam perguntas difíceis de ignorar.

Desta forma, a morte de Cândido Mota trouxe exatamente isso. Não apenas a dor da perda, mas também uma reflexão profunda sobre aquilo em que a sociedade se está a transformar. Estive presente na igreja e, mais tarde, no cemitério. Vi o último adeus. Ou melhor, vi a ausência dele.

Por isso, para alguém que, em vida, foi reconhecido por tantos, elogiado por muitos e considerado amigo de incontáveis pessoas, a despedida acabou marcada por uma presença reduzida. Poucos estiveram lá. Poucos fizeram questão de acompanhar aquele que, durante anos, marcou a vida de tanta gente com a sua personalidade, presença e humanidade.

Uma sociedade cada vez mais distante da presença humana

Porém, perante este cenário, torna-se impossível não questionar: para onde caminha a sociedade?

Entretanto, as homenagens multiplicam-se rapidamente nas redes sociais. Os elogios surgem com facilidade. As palavras “amigo”, “irmão” ou “família” aparecem constantemente nas publicações e comentários. No entanto, no momento em que realmente importa, muitos desaparecem. O silêncio substitui a presença. A distância vence a gratidão.

Contudo, Cândido Mota merecia mais. Merecia uma igreja cheia. Merecia mais abraços, mais rostos conhecidos e mais pessoas no seu último percurso. Porque uma pessoa não deve ser lembrada apenas nas palavras ditas em vida. Deve também ser honrada na despedida.

No fim, ficam os que realmente estiveram presentes

Ficam os que realmente estiveram presentes. Os poucos que não precisaram de discursos para demonstrar respeito e todos aqueles que compreenderam que despedir-se de alguém continua a ser um dos maiores atos de humanidade.

Talvez seja precisamente aí que esteja a resposta mais dura de todas: a sociedade fala cada vez mais sobre amizade, mas pratica cada vez menos a presença.

A última mensagem de Cândido Mota emocionou a despedida

Cerimónia fúnebre de Cândido Mota durante o último percurso no cemitério.
O último percurso de Cândido Mota | Foto: José A. Carvalho

Durante a cerimónia, Paulo Raimundo, líder do PCP, emocionou-se ao ler, em exclusivo para o Twenty4news, uma citação utilizada na pagela feita para a cerimónia com uma citação do Cândido:

“A única coisa que eu gostaria de deixar para os que me são mais próximos é a honestidade de olharmos para nós próprios com olhos de ver, com uma mentalidade aberta, sem termos medo dos defeitos e sem endeusarmos as nossas qualidades”. Palavras que acabaram por marcar profundamente todos os presentes naquele momento de despedida.

Um testamento de humildade intelectual e emocional. É uma proposta de vida que foge aos clichés da autoajuda moderna, muitas vezes centrada apenas no “pensamento positivo”, e mergulhada numa honestidade mais crua.

Uma mensagem simples, humana e carregada de reflexão. Talvez também um último lembrete sobre aquilo que realmente importa na vida: a capacidade de olhar para os outros — e para nós próprios — com verdade, humanidade e presença.