
Por José António Carvalho
“Águas Passadas”, é a nova série da RTP baseada no romance policial de João Tordo. Desde o primeiro momento, percebe-se que este não é apenas mais um projeto. Pelo contrário, existe uma ambição clara de fazer diferente.
No set, entre câmaras e silêncio, a concentração é total. Ao mesmo tempo, sente-se um ambiente de grande foco. Foi neste contexto que conversámos com o realizador Bruno Gascon e com os protagonistas Enrique Arce e Helena Caldeira. Desde logo, ficou evidente o nível de entrega de toda a equipa.
Um thriller que vive da tensão e da dúvida
Para Bruno Gascon, “Águas Passadas” vai além de uma simples adaptação. “É uma coprodução luso-espanhola entre a Caracol Studios e a TVON Produccionese, só assim conseguimos que mais pessoas vejam mais projetos. Por isso, é um reforço que todos nós precisamos em Portugal”, explicou ao Twenty4news.
A série conta com oito episódios e surge do livro de João Tordo, mas ganha uma nova dimensão no formato televisivo. Além disso, aposta numa narrativa intensa. “Acima de tudo, é um thriller emocionante. Assim, o público vai estar sempre na corda bamba, a tentar perceber quem é o assassino”, acrescenta.
No centro da história está a subcomissária Pilar Benamor. Trata-se de uma personagem que vive entre regras e intuição. Ao mesmo tempo, move-se num mundo onde nada é linear. “Mesmo quando vai contra as regras, ela tenta chegar à verdade. Porém, existe uma forte componente pessoal. É uma mulher que cresce num ambiente dominado por homens e que tem de aprender a sobreviver nele.”
Uma aposta forte na componente visual
Por outro lado, a série aposta também na componente visual. “Temos cenas debaixo de água e vários cenários que vão marcar a diferença”, revelou o realizador.
De facto, isso sente-se no set. Cada detalhe é pensado com rigor. Cada repetição tem um propósito. Assim, não há pressa. Há precisão.
Helena Caldeira e o peso das decisões
Na conversa com o Twenty4news, Helena Caldeira destacou o impacto do guião. Desde logo, a leitura foi determinante para aceitar o projeto. A intensidade emocional da história e a construção da personagem pesaram na decisão.
Além disso, a dimensão internacional teve um papel importante. A coprodução entre Portugal e Espanha trouxe novos desafios. Por isso, permitiu também contacto com diferentes formas de trabalhar.
Trabalhar com Enrique Arce foi outro dos pontos marcantes. A troca criativa em cena e a experiência internacional do ator acrescentaram uma nova dinâmica ao processo.
Num registo mais pessoal, Helena Caldeira revelou que nunca recusou um projeto após leitura de guião. Ainda assim, cada decisão é pensada com cuidado. Isto porque a realidade da profissão é exigente e instável para muitos atores.
Enrique Arce e uma carreira feita de escolhas
Por sua vez, Enrique Arce dá-nos uma visão mais introspectiva. Conhecido pelo papel de Arturo em La Casa de Papel, falou sobre o percurso que o levou até aqui.
Ao longo da carreira, fez escolhas exigentes. A dedicação à representação foi total. No entanto, essa decisão foi consciente. Foi sempre guiada com paixão pela profissão. Recordou também o início da carreira nos Estados Unidos, uma fase que foi determinante para a sua formação enquanto ator.
Sobre “Águas Passadas”, mostrou confiança no projeto e até à data, destacou o ambiente positivo vivido durante as filmagens.

Um ambiente que se sente dentro e fora de cena
No fundo, há algo que não se consegue fingir e sente-se logo no set: o compromisso. “Há uma entrega total do elenco e de toda a equipa. Assim, tudo acontece de forma mais fluida”, sublinha Bruno Gascon.
Essa entrega nota-se em cada detalhe: nos silêncios antes de cada take, na concentração e na forma como cada cena é construída.
“Águas Passadas” está em produção. Ainda assim, uma coisa é certa: há aqui matéria para uma série que não quer passar despercebida — um thriller que promete manter o público na dúvida até ao fim.



