Por José António Carvalho
Lisboa viu transformar-se em luto o que durante mais de um século foi símbolo de vida quotidiana e de encanto turístico. O Elevador da Glória, um dos ícones da cidade, descarrilou abruptamente, colidindo contra um prédio. Deixou para trás um cenário de dor: 16 vidas perdidas e mais de duas dezenas de feridos, entre eles uma criança.
As vítimas vieram de diferentes pontos do mundo, unidas pelo acaso de partilharem aquele momento e aquele espaço. Entre elas estava também o guarda-freios que diariamente garantia a segurança do percurso, homem conhecido e respeitado por quem passava na Calçada.
Ainda que a investigação aponte para a rotura de um cabo de segurança, as causas definitivas aguardam apuramento. O certo é que Lisboa ficou mais silenciosa, marcada por uma ferida aberta no coração da cidade. O Governo decretou dias de luto e a população juntou-se em solidariedade com as famílias, numa dor que é sentida muito para além das fronteiras nacionais.
O que era um cartão-postal de Lisboa tornou-se, de repente, num símbolo da fragilidade da vida — e no testemunho da necessidade de cuidar da memória dos que partiram.






