
Por José António Carvalho
Organização Mundial da Saúde acompanha operação internacional enquanto passageiros enfrentam quarentena de 42 dias
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha a operação de evacuação dos passageiros de um navio de cruzeiro afetado por um surto de hantavírus, iniciada este domingo em Tenerife. Apesar da tensão vivida a bordo, as autoridades garantem que o risco para a população em geral continua reduzido.
Os passageiros abandonaram o navio sob fortes medidas de segurança e seguiram em autocarros militares até ao aeroporto da ilha espanhola. Depois, embarcaram em aviões enviados pelos respetivos países, sem qualquer contacto com o público.
A operação deverá prolongar-se até segunda-feira.
OMS recomenda quarentena de 42 dias
A OMS recomendou uma quarentena de 42 dias para todos os passageiros do navio. A decisão surge depois da confirmação de vários casos associados ao surto nas últimas semanas.
Até ao momento, morreram três pessoas: um casal neerlandês e um cidadão alemão. Além disso, vários passageiros ligados ao cruzeiro continuam hospitalizados na África do Sul, Suíça e Países Baixos.
Segundo as autoridades de saúde, nenhum dos passageiros apresentava sintomas durante o desembarque. Ainda assim, as equipas médicas classificam todos os viajantes como contactos de alto risco por precaução.
Como começou o surto no navio
As autoridades identificaram o hantavírus pela primeira vez a 2 de maio, depois de um passageiro britânico internado em cuidados intensivos testar positivo na África do Sul.
As investigações apontam para a possibilidade de o primeiro caso ter surgido antes do embarque, durante viagens na Argentina ou no Chile. No entanto, as autoridades acreditam que o vírus se propagou posteriormente já a bordo do navio.
O cruzeiro partiu da costa de Cabo Verde com destino a Espanha quando as autoridades detetaram o surto.
Sem sinais de roedores a bordo
Embora os roedores transmitam normalmente o hantavírus, as autoridades espanholas garantem que não encontraram sinais destes animais no navio.
A OMS sublinha que a transmissão entre pessoas continua rara, embora algumas variantes do vírus permitam esse cenário.
O Ministério da Saúde de Espanha recordou ainda que centenas de cruzeiros provenientes da América do Sul chegam todos os anos à Europa sem qualquer incidente semelhante. Por isso, considera remota a possibilidade de um surto desta dimensão voltar a acontecer.
Operação internacional mobiliza vários países
Espanha, França, Canadá, Países Baixos, Reino Unido, Irlanda, Turquia, Estados Unidos e Austrália participam na operação de evacuação.
Os Países Baixos vão também transportar cidadãos alemães, belgas e gregos. Já a Austrália prepara um voo para retirar passageiros australianos, neozelandeses e cidadãos de vários países asiáticos.
Entretanto, 30 membros da tripulação permanecerão no navio, que seguirá para os Países Baixos para uma operação de desinfeção.
Autoridades mantêm vigilância apertada
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, encontra-se em Tenerife para acompanhar a operação no terreno.
Especialistas internacionais continuam a testar passageiros e a monitorizar possíveis novos casos. Apesar da dimensão mediática do surto, as autoridades insistem que não existe motivo para alarme generalizado.
A prioridade passa agora por concluir a evacuação em segurança e impedir novas cadeias de transmissão.
Fonte: Reuters



