
Por José António Carvalho
O sismo na Venezuela continua a provocar uma das maiores tragédias humanitárias da história recente do país. Uma semana depois dos dois violentos abalos sísmicos registados com apenas 39 segundos de diferença, a dimensão da tragédia continua a aumentar. As autoridades confirmaram esta quarta-feira, 1 de julho, 2.295 mortos, mais de 11.200 feridos e mais de 40 mil pessoas continuam desaparecidas, enquanto as equipas de resgate mantêm uma corrida contra o tempo na esperança de encontrar sobreviventes sob os escombros.
País continua em estado de emergência
Os dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, registados a 24 de junho, provocaram um dos maiores desastres naturais da história recente da Venezuela. A região costeira de La Guaira foi a mais afetada, mas a destruição estendeu-se também a Caracas e a outras zonas do norte do país.
Milhares de edifícios ruíram ou ficaram seriamente danificados, deixando dezenas de milhares de famílias sem habitação. Em muitas localidades, os sobreviventes continuam a viver em escolas, pavilhões e abrigos improvisados, enquanto aguardam notícias de familiares desaparecidos.
Corrida contra o tempo para salvar vidas
Apesar de as possibilidades de encontrar pessoas com vida diminuírem a cada hora, continuam a surgir histórias que alimentam a esperança.
Nos últimos dias, as equipas internacionais de busca conseguiram retirar com vida um homem que permaneceu 106 horas soterrado sob os escombros. Pouco depois, uma criança de apenas três anos foi igualmente resgatada, quase seis dias após o desastre, num momento que emocionou o país e as equipas de salvamento.
Mais de duas mil equipas de emergência provenientes de dezenas de países continuam no terreno, apoiadas por cães de busca, maquinaria pesada e tecnologia especializada para localizar possíveis sobreviventes.
Crise humanitária agrava-se
À medida que avançam as operações de resgate, cresce também a preocupação com a situação humanitária.
Hospitais trabalham muito acima da capacidade, enfrentando falta de medicamentos, equipamento médico e profissionais de saúde. Ao mesmo tempo, milhares de pessoas permanecem sem acesso regular a água potável, alimentos e saneamento básico, aumentando o risco de surtos de doenças infecciosas.
Perante a gravidade da situação, as Nações Unidas intensificaram a ajuda internacional e prepararam o envio de milhares de sacos mortuários, antecipando que o número de vítimas possa continuar a aumentar nos próximos dias.
População critica resposta das autoridades
A resposta das autoridades venezuelanas continua a ser alvo de fortes críticas por parte da população. Muitos sobreviventes denunciam atrasos na chegada da ajuda, escassez de meios de socorro e dificuldades na distribuição de alimentos e assistência médica.
Entretanto, também foram detidos vários agentes policiais suspeitos de alegados furtos em edifícios destruídos pelo sismo, um caso que aumentou ainda mais a indignação entre os habitantes das zonas afetadas.
Reconstrução deverá durar anos
Especialistas admitem que a reconstrução da Venezuela será um processo longo e extremamente exigente. Estima-se que dezenas de milhares de edifícios tenham sofrido danos estruturais e que os prejuízos económicos ascendam a vários milhares de milhões de dólares.
Enquanto continuam as buscas, milhares de famílias vivem entre a esperança e a incerteza, aguardando notícias dos desaparecidos. A cada novo balanço oficial, cresce o receio de que esta venha a tornar-se a maior tragédia sísmica da história moderna do país.
Fonte: Reuters



