
Por José António Carvalho
A ModaLisboa arrancou esta sexta-feira, 13 de março, no Pátio da Galé, em Lisboa, com um primeiro dia marcado pelo lado social do evento e pela expectativa em torno do desfile Sangue Novo, um dos momentos mais simbólicos da Lisboa Fashion Week. A 66.ª edição decorre entre 12 e 15 de março e volta a espalhar-se por vários espaços da cidade, reforçando a ideia de que Lisboa quer afirmar-se como palco de moda, pensamento e criação contemporânea.
Lisboa volta a afirmar-se no mapa internacional da moda
A imprensa internacional tem olhado para a ModaLisboa como um evento que vai além da passerelle. Esse interesse não surge por acaso. Nos últimos anos, a semana da moda lisboeta consolidou uma identidade própria, mais próxima da experimentação, da sustentabilidade e da descoberta de novos talentos do que de uma lógica puramente comercial. Nessa leitura, Lisboa aparece como uma plataforma criativa em crescimento, com espaço para propostas emergentes e discursos mais livres.
Além disso, a programação desta edição reforça essa ambição. A ModaLisboa não se fecha num único espaço nem se limita aos desfiles. Pelo contrário, distribui-se entre o Pátio da Galé, o MUDE e o CAM, ligando moda, cidade, pensamento e indústria num mesmo percurso. Essa dimensão alargada ajuda a explicar porque continua a captar atenção fora de Portugal.
O lado social marcou o arranque no Pátio da Galé
No primeiro dia, o Pátio da Galé voltou a funcionar como ponto de encontro natural entre designers, estudantes, stylists, fotógrafos, imprensa, convidados e figuras habituais do setor. Mais do que assistir aos desfiles, quem passou pelo espaço encontrou um ambiente de convívio, observação e troca de impressões, numa atmosfera que faz parte da identidade da própria ModaLisboa.
Esse lado social tem um peso real no arranque do evento. É ali que se cruzam gerações, se criam contactos e se percebe o pulso da moda portuguesa fora do formato rígido da passerelle. Por isso, o primeiro dia não vive apenas de coleção em coleção. Vive também da presença, das conversas e da energia que circula entre bastidores, plateia e corredores.
Sangue Novo voltou a centrar atenções
Se o ambiente social deu corpo ao arranque da ModaLisboa, o desfile Sangue Novo deu-lhe direção. Marcado para as 22h de 13 de março no Pátio da Galé, o momento reuniu os cinco finalistas desta edição e voltou a assumir-se como uma das plataformas mais importantes para revelar novas vozes da moda em Portugal.
Segundo a organização, esta fase final do concurso estrutura-se em torno de eixos como formação internacional, produção responsável, criação de marca e inovação nos crafts. Ou seja, o objetivo não passa apenas por mostrar roupa em passerelle. Passa também por preparar criadores para entrar no sistema de moda com ferramentas mais sólidas e uma visão mais completa do setor.
Uma plataforma que liga talento emergente e futuro da indústria
É precisamente aqui que a leitura da imprensa estrangeira se cruza com a visão da ModaLisboa. Publicações internacionais têm destacado o Sangue Novo como uma aposta séria na renovação criativa e na ligação entre novos designers, produção responsável e indústria têxtil mais ágil. Essa abordagem mostra que Lisboa não quer apenas descobrir talento. Quer também dar-lhe estrutura, acompanhamento e projeção.
Ao dirigir-se à comunidade académica e aos criadores em início de percurso, o Sangue Novo funciona como ponte entre escola e profissão. Ao mesmo tempo, reforça a ideia de que a moda portuguesa continua a investir no futuro a partir da base, com espaço para investigação, identidade e experimentação.
Primeiro dia deixou uma ideia clara
Assim, o arranque da ModaLisboa mostrou duas forças que continuam a definir o evento. Por um lado, o lado social, que transforma o Pátio da Galé num espaço de encontro e visibilidade. Por outro, o Sangue Novo, que coloca os jovens criadores no centro da conversa e lembra que a renovação da moda começa sempre com novas ideias.
Num contexto em que a imprensa internacional acompanha cada vez mais o que se faz em Lisboa, a ModaLisboa volta a mostrar que tem identidade, ambiente e capacidade para lançar novos nomes. E, logo no primeiro dia, deixou claro que continua a olhar para o futuro sem perder a ligação à cidade e à sua comunidade criativa.



