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CULTURA & LAZER

Lisbon Noir: o lado mais sombrio da mente humana

Elenco completo da série Lisbon Noir durante a apresentação oficial no Museu da Água
Elenco de Lisbon Noir reunido na apresentação oficial da série, em Lisboa | Foto: José A. Carvalho

Por José António Carvalho

Série apresentada no Museu da Água mergulha no lado mais sombrio da mente humana

A série Lisbon Noir, realizada por Artur Ribeiro, estreia na TVI e na Prime Video no próximo dia 13 de abril de 2026. A apresentação decorreu ontem no Museu da Água e deixou uma certeza no ar: não estamos perante um policial comum. Inspirada na figura histórica de Diogo Alves, a produção propõe uma viagem intensa à mente humana. Aqui, o crime deixa de ser apenas um ato e passa a assumir-se como uma construção, quase uma identidade.

Uma investigação que ultrapassa a lógica

Logo no início, a narrativa ganha contornos inquietantes. A Polícia Judiciária entra num território onde a lógica deixa de ser suficiente. No centro da investigação surge o inspetor interpretado por Pêpê Rapazote, um homem metódico, inteligente e emocionalmente complexo. Em entrevista exclusiva ao Twenty4news, o ator destacou essa dimensão do personagem. Explicou que “Lisbon Noir é uma série inspirada no maior serial killer que tivemos em terras lusitanas, chamado Diogo Alves, na qual participo como inspetor da PJ. Foi muito interessante porque dá largas à enorme inteligência do personagem, com um QI muito elevado. Ele tem capacidade de resolver problemas de grande complexidade, inclusive os seus próprios problemas emocionais”.

Ao mesmo tempo, o ator admite algumas semelhanças pessoais, embora sublinhe diferenças claras. “Revejo-me no personagem em várias coisas, como a dificuldade em confrontar a autoridade e o perfeccionismo. No entanto, ele é muito mais pragmático do que eu. Eu vou com tudo, sem limites, com entusiasmo. É quase como uma enxurrada que leva tudo à frente”.

A construção do mal como identidade

Por outro lado, Fernando Bravo representa o oposto. Interpretado por Luís Filipe Eusébio, o serial killer assume-se como uma construção fria e consciente do mal. A personagem não nasce diretamente de Diogo Alves, mas encontra nele uma referência para legitimar o que já existe dentro de si. Em entrevista ao Twenty4news, o ator explicou: “a minha personagem inspira-se no Diogo Alves mas tem uma narrativa própria. No meu trabalho fiz uma pesquisa grande para me inteirar dos factos. Tirando o modus operandi, são duas pessoas distintas. Por isso, tive de me inspirar noutras referências para completar o puzzle. Como todos os psicopatas, o ego do Fernando é muito grande. Ele quer ir mais além, quer ter a sua história, a sua marca, porque quer ser uma lenda”.

Entre a investigação e a sombra humana

Além disso, a ideia de identidade construída atravessa toda a série. Essa dimensão ganha ainda mais força através da personagem de Marta, interpretada por Teresa Tavares. Jornalista e ligada à PJ, acompanha o caso desde o início e aproxima-se perigosamente do assassino. No entanto, não se limita a observar. Procura compreender o que está por trás da violência.

Durante a entrevista, o Twenty4news colocou uma questão central: o que é mais intrigante na história, o perfil do assassino ou a sua própria sombra? A resposta da atriz resume bem o espírito da série. “O mais intrigante é tentar tocar nessa sombra. Todos temos um lado negro e motivações escondidas. O fascinante é quando o espectador sente que tocou no seu próprio lado”. A atriz destacou ainda a exigência das filmagens. “Tivemos muitas cenas de ação, como a do Aqueduto das Águas Livres, que foram fisicamente desafiantes e emocionalmente muito fortes”.

Uma série que vai além do crime

Apesar da intensidade do tema, o ambiente entre o elenco manteve-se leve. Pêpê Rapazote resumiu esse espírito com humor: “A relação foi terrível, tareia todos os dias… (risos). Claro que não. Foi muito fácil e muito saudável”. Assim, esse equilíbrio entre tensão narrativa e cumplicidade nos bastidores contribuiu para uma série mais autêntica e envolvente.

Mais do que contar uma história de crime, Lisbon Noir propõe uma reflexão desconfortável. O mal não surge apenas de fora. Pode ser construído, alimentado e até admirado. É precisamente essa ambiguidade que prende o espectador e o leva a questionar-se.

No final, fica uma pergunta que não se dissipa facilmente: o verdadeiro perigo está no assassino… ou na ideia da sua sombra?

Lisbon Noir: o lado mais sombrio da mente humana

Elenco completo da série Lisbon Noir durante a apresentação oficial no Museu da Água
Elenco de Lisbon Noir reunido na apresentação oficial da série, em Lisboa | Foto: José A. Carvalho

Por José António Carvalho

Série apresentada no Museu da Água mergulha no lado mais sombrio da mente humana

A série Lisbon Noir, realizada por Artur Ribeiro, estreia na TVI e na Prime Video no próximo dia 13 de abril de 2026. A apresentação decorreu ontem no Museu da Água e deixou uma certeza no ar: não estamos perante um policial comum. Inspirada na figura histórica de Diogo Alves, a produção propõe uma viagem intensa à mente humana. Aqui, o crime deixa de ser apenas um ato e passa a assumir-se como uma construção, quase uma identidade.

Uma investigação que ultrapassa a lógica

Logo no início, a narrativa ganha contornos inquietantes. A Polícia Judiciária entra num território onde a lógica deixa de ser suficiente. No centro da investigação surge o inspetor interpretado por Pêpê Rapazote, um homem metódico, inteligente e emocionalmente complexo. Em entrevista exclusiva ao Twenty4news, o ator destacou essa dimensão do personagem. Explicou que “Lisbon Noir é uma série inspirada no maior serial killer que tivemos em terras lusitanas, chamado Diogo Alves, na qual participo como inspetor da PJ. Foi muito interessante porque dá largas à enorme inteligência do personagem, com um QI muito elevado. Ele tem capacidade de resolver problemas de grande complexidade, inclusive os seus próprios problemas emocionais”.

Ao mesmo tempo, o ator admite algumas semelhanças pessoais, embora sublinhe diferenças claras. “Revejo-me no personagem em várias coisas, como a dificuldade em confrontar a autoridade e o perfeccionismo. No entanto, ele é muito mais pragmático do que eu. Eu vou com tudo, sem limites, com entusiasmo. É quase como uma enxurrada que leva tudo à frente”.

A construção do mal como identidade

Por outro lado, Fernando Bravo representa o oposto. Interpretado por Luís Filipe Eusébio, o serial killer assume-se como uma construção fria e consciente do mal. A personagem não nasce diretamente de Diogo Alves, mas encontra nele uma referência para legitimar o que já existe dentro de si. Em entrevista ao Twenty4news, o ator explicou: “a minha personagem inspira-se no Diogo Alves mas tem uma narrativa própria. No meu trabalho fiz uma pesquisa grande para me inteirar dos factos. Tirando o modus operandi, são duas pessoas distintas. Por isso, tive de me inspirar noutras referências para completar o puzzle. Como todos os psicopatas, o ego do Fernando é muito grande. Ele quer ir mais além, quer ter a sua história, a sua marca, porque quer ser uma lenda”.

Entre a investigação e a sombra humana

Além disso, a ideia de identidade construída atravessa toda a série. Essa dimensão ganha ainda mais força através da personagem de Marta, interpretada por Teresa Tavares. Jornalista e ligada à PJ, acompanha o caso desde o início e aproxima-se perigosamente do assassino. No entanto, não se limita a observar. Procura compreender o que está por trás da violência.

Durante a entrevista, o Twenty4news colocou uma questão central: o que é mais intrigante na história, o perfil do assassino ou a sua própria sombra? A resposta da atriz resume bem o espírito da série. “O mais intrigante é tentar tocar nessa sombra. Todos temos um lado negro e motivações escondidas. O fascinante é quando o espectador sente que tocou no seu próprio lado”. A atriz destacou ainda a exigência das filmagens. “Tivemos muitas cenas de ação, como a do Aqueduto das Águas Livres, que foram fisicamente desafiantes e emocionalmente muito fortes”.

Uma série que vai além do crime

Apesar da intensidade do tema, o ambiente entre o elenco manteve-se leve. Pêpê Rapazote resumiu esse espírito com humor: “A relação foi terrível, tareia todos os dias… (risos). Claro que não. Foi muito fácil e muito saudável”. Assim, esse equilíbrio entre tensão narrativa e cumplicidade nos bastidores contribuiu para uma série mais autêntica e envolvente.

Mais do que contar uma história de crime, Lisbon Noir propõe uma reflexão desconfortável. O mal não surge apenas de fora. Pode ser construído, alimentado e até admirado. É precisamente essa ambiguidade que prende o espectador e o leva a questionar-se.

No final, fica uma pergunta que não se dissipa facilmente: o verdadeiro perigo está no assassino… ou na ideia da sua sombra?

Lisbon Noir: o lado mais sombrio da mente humana

Elenco completo da série Lisbon Noir durante a apresentação oficial no Museu da Água
Elenco de Lisbon Noir reunido na apresentação oficial da série, em Lisboa | Foto: José A. Carvalho

Por José António Carvalho

Série apresentada no Museu da Água mergulha no lado mais sombrio da mente humana

A série Lisbon Noir, realizada por Artur Ribeiro, estreia na TVI e na Prime Video no próximo dia 13 de abril de 2026. A apresentação decorreu ontem no Museu da Água e deixou uma certeza no ar: não estamos perante um policial comum. Inspirada na figura histórica de Diogo Alves, a produção propõe uma viagem intensa à mente humana. Aqui, o crime deixa de ser apenas um ato e passa a assumir-se como uma construção, quase uma identidade.

Uma investigação que ultrapassa a lógica

Logo no início, a narrativa ganha contornos inquietantes. A Polícia Judiciária entra num território onde a lógica deixa de ser suficiente. No centro da investigação surge o inspetor interpretado por Pêpê Rapazote, um homem metódico, inteligente e emocionalmente complexo. Em entrevista exclusiva ao Twenty4news, o ator destacou essa dimensão do personagem. Explicou que “Lisbon Noir é uma série inspirada no maior serial killer que tivemos em terras lusitanas, chamado Diogo Alves, na qual participo como inspetor da PJ. Foi muito interessante porque dá largas à enorme inteligência do personagem, com um QI muito elevado. Ele tem capacidade de resolver problemas de grande complexidade, inclusive os seus próprios problemas emocionais”.

Ao mesmo tempo, o ator admite algumas semelhanças pessoais, embora sublinhe diferenças claras. “Revejo-me no personagem em várias coisas, como a dificuldade em confrontar a autoridade e o perfeccionismo. No entanto, ele é muito mais pragmático do que eu. Eu vou com tudo, sem limites, com entusiasmo. É quase como uma enxurrada que leva tudo à frente”.

A construção do mal como identidade

Por outro lado, Fernando Bravo representa o oposto. Interpretado por Luís Filipe Eusébio, o serial killer assume-se como uma construção fria e consciente do mal. A personagem não nasce diretamente de Diogo Alves, mas encontra nele uma referência para legitimar o que já existe dentro de si. Em entrevista ao Twenty4news, o ator explicou: “a minha personagem inspira-se no Diogo Alves mas tem uma narrativa própria. No meu trabalho fiz uma pesquisa grande para me inteirar dos factos. Tirando o modus operandi, são duas pessoas distintas. Por isso, tive de me inspirar noutras referências para completar o puzzle. Como todos os psicopatas, o ego do Fernando é muito grande. Ele quer ir mais além, quer ter a sua história, a sua marca, porque quer ser uma lenda”.

Entre a investigação e a sombra humana

Além disso, a ideia de identidade construída atravessa toda a série. Essa dimensão ganha ainda mais força através da personagem de Marta, interpretada por Teresa Tavares. Jornalista e ligada à PJ, acompanha o caso desde o início e aproxima-se perigosamente do assassino. No entanto, não se limita a observar. Procura compreender o que está por trás da violência.

Durante a entrevista, o Twenty4news colocou uma questão central: o que é mais intrigante na história, o perfil do assassino ou a sua própria sombra? A resposta da atriz resume bem o espírito da série. “O mais intrigante é tentar tocar nessa sombra. Todos temos um lado negro e motivações escondidas. O fascinante é quando o espectador sente que tocou no seu próprio lado”. A atriz destacou ainda a exigência das filmagens. “Tivemos muitas cenas de ação, como a do Aqueduto das Águas Livres, que foram fisicamente desafiantes e emocionalmente muito fortes”.

Uma série que vai além do crime

Apesar da intensidade do tema, o ambiente entre o elenco manteve-se leve. Pêpê Rapazote resumiu esse espírito com humor: “A relação foi terrível, tareia todos os dias… (risos). Claro que não. Foi muito fácil e muito saudável”. Assim, esse equilíbrio entre tensão narrativa e cumplicidade nos bastidores contribuiu para uma série mais autêntica e envolvente.

Mais do que contar uma história de crime, Lisbon Noir propõe uma reflexão desconfortável. O mal não surge apenas de fora. Pode ser construído, alimentado e até admirado. É precisamente essa ambiguidade que prende o espectador e o leva a questionar-se.

No final, fica uma pergunta que não se dissipa facilmente: o verdadeiro perigo está no assassino… ou na ideia da sua sombra?