
Por José António Carvalho
O Dakar 2026 ficará para sempre gravado na história como uma das edições mais emocionantes de sempre. O argentino Luciano Benavides conquistou o título nas motos por apenas dois segundos, a margem mais curta alguma vez registada na prova, enquanto o qatari Nasser Al-Attiyah voltou a confirmar o seu domínio nos automóveis ao somar o sexto triunfo da carreira.
Benavides faz história
Benavides, piloto da Red Bull KTM Factory Racing, partiu para a 13.ª e última etapa com um atraso de 3 minutos e 20 segundos em relação ao norte-americano Ricky Brabec. Tudo parecia perdido, mas o argentino protagonizou uma recuperação épica no sprint final até Yanbu. Um erro de navegação tardio de Brabec acabou por ser decisivo e abriu caminho a uma reviravolta histórica.
“Não consigo acreditar. Nunca deixei de sonhar. Ganhar por apenas dois segundos é algo surreal. Acordei hoje cheio de motivação e energia, a confiar em mim. Essa é a chave para o sucesso no Dakar”, afirmou Benavides, emocionado no final.
O piloto natural de Salta junta-se assim ao irmão Kevin Benavides no restrito grupo de campeões do Dakar em duas rodas. A vitória ganha ainda mais peso se se tiver em conta que Luciano sofreu lesões no joelho e no ombro apenas três meses antes do início da prova. O pódio das motos ficou completo com o espanhol Tosha Schareina no terceiro lugar. Já os colegas de equipa Daniel Sanders e Edgar Canet terminaram no top-5, apesar de vários contratempos. Sanders, campeão em título, competiu com uma clavícula partida e ainda assim conseguiu fechar a prova na quinta posição.
Rokas Baciuška domina em Stock
Na categoria Stock, o lituano Rokas Baciuška foi absolutamente dominante, vencendo sete etapas e garantindo o seu primeiro título no Dakar, com quase quatro horas de vantagem sobre a norte-americana Sara Price. Stéphane Peterhansel, recordista de vitórias na prova, terminou em quarto.
Nos automóveis, Nasser Al-Attiyah voltou a mostrar porque é uma das maiores lendas do Dakar. Ao volante do Dacia Sandrider, controlou a corrida desde cedo e assegurou o sexto título da carreira, mantendo sempre uma margem confortável sobre os adversários.
“Desde o início acreditámos que era possível vencer. Começámos este projeto do zero e desenvolvemos muito o carro. Agora ganhámos o Dakar. Estou extremamente feliz”, disse o piloto qatari.
O espanhol Nani Roma terminou em segundo, seguido do sueco Mattias Ekström, repetindo o pódio do ano passado. Sébastien Loeb voltou a ficar perto do sonho, mas fechou a prova no quarto lugar, com Carlos Sainz em quinto.
O Dakar 2026 será recordado não só pela dureza do percurso, mas sobretudo pelo final mais renhido de sempre nas motos, provando mais uma vez que esta é a prova mais extrema, imprevisível e emocionante do desporto motorizado mundial.
Fonte: Red Bull



