Vista panorâmica da Expofarma 2026 na FIL com expositores e profissionais da indústria farmacêutica.
Expofarma 2026 recebe milhares de profissionais no Centro de Congressos de Lisboa
29.05.2026
Elenco e jurados do programa Dream Team – Equipa de Sonho durante a apresentação oficial da nova aposta da RTP1.
Dream Team – Equipa de Sonho estreia hoje, 31 de maio, na RTP1
31.05.2026

PORTUGAL

Da Indústria ao Utente: Uma Cadeia de Confiança

Profissionais conversam e estabelecem contactos durante a Expofarma 2026 na FIL.
Networking marca primeiro dia da Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

Por José António Carvalho

A saber, o setor farmacêutico português vive um momento de transformação. A inovação, a digitalização, os medicamentos genéricos, a automedicação responsável, a distribuição farmacêutica e o papel das farmácias comunitárias estão hoje mais ligados do que nunca. Por detrás de cada medicamento que chega ao balcão da farmácia existe uma cadeia de valor que envolve indústria farmacêutica, distribuidores, farmácias, profissionais de saúde e utentes. Todos desempenham um papel essencial para garantir uma saúde mais próxima, segura e acessível. Foi precisamente esta visão integrada que marcou a última edição da Expofarma, realizada no Centro de Congressos de Lisboa. O evento voltou a reunir alguns dos principais intervenientes do setor, num espaço de reflexão sobre o presente e o futuro da saúde em Portugal.

Numa reportagem exclusiva do Twenty4news realizada durante a Expofarma 2026, reunimos testemunhos de alguns dos principais protagonistas do setor farmacêutico português para perceber como indústria, distribuidores e farmácias estão a preparar o futuro da saúde em Portugal.

Indústria farmacêutica aposta na confiança e na inovação

Por esta razão, a indústria farmacêutica continua a ser um dos motores da saúde. Desenvolve soluções, responde às necessidades dos consumidores e contribui para a sustentabilidade do sistema, seja através de medicamentos inovadores, produtos de autocuidado ou medicamentos genéricos. Para Gabriela Alves, Diretora de Marketing da Bene Farmacêutica, a confiança é um dos pilares mais importantes da relação entre marcas, profissionais de saúde e consumidores.

A confiança continua a ser um valor essencial

“A Bene Farmacêutica tem marcas icónicas que inspiram muita confiança, quer aos profissionais de saúde quer aos consumidores e doentes. Temos a força de uma marca icónica como o Ben-u-ron, que nos permite estar muito próximos do canal farmácia.”

A responsável sublinha ainda que, no mundo do autocuidado e da automedicação, é essencial oferecer produtos seguros e informação clara aos consumidores.

Licínio Pereira, Senior Product Manager da marca Ben-u-ron na Bene Farmacêutica, defende que manter viva uma marca madura exige consistência, proximidade e capacidade de adaptação.

“As marcas não evoluem por si só. Precisam de se reinventar de acordo com aquilo que os consumidores necessitam. O que está subjacente à marca Ben-u-ron é a confiança.”

A confiança surge, assim, como um elemento central no contacto entre a indústria, as farmácias e os utentes.

O papel dos genéricos no futuro da saúde

Filipe Rama, Diretor Comercial da TOWA Pharmaceutical Portugal, destaca o peso dos medicamentos genéricos no mercado nacional e na sustentabilidade do sistema de saúde.

Stand da TOWA Pharmaceutical Portugal durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
TOWA Pharmaceutical Portugal na Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“O core business da TOWA continua a ser o mercado dos medicamentos genéricos, embora exista uma tendência para alargar a nossa atividade à área dos OTC.”

Segundo Filipe Rama, o mercado farmacêutico português deverá manter-se estável nos próximos anos, com crescimento sustentado pela inovação e pela poupança gerada através dos genéricos.

“A minha previsão é que a Indústria Farmacêutica continue forte e robusta, afirmando-se como um dos motores de uma das principais economias do nosso país.”

Nesse sentido, as perspetivas apresentadas pelos responsáveis da Bene Farmacêutica e da TOWA Pharmaceutical Portugal refletem a confiança do setor no futuro do mercado farmacêutico nacional, onde a combinação entre inovação, acessibilidade, sustentabilidade e proximidade continuará a desempenhar um papel determinante na resposta às necessidades dos portugueses.

Distribuição farmacêutica garante eficiência e segurança

Desta forma, entre a indústria e a farmácia existe uma estrutura logística essencial. A distribuição farmacêutica garante que os medicamentos e produtos de saúde cheguem às farmácias em tempo útil, com segurança e em condições adequadas.

Este trabalho, muitas vezes invisível para o utente, é fundamental para o funcionamento de todo o sistema.

Contudo, para Natércia Moreira, Diretora de Marketing da Cooprofar, a distribuição farmacêutica deve ser vista como uma relação de parceria com a indústria, as farmácias e os restantes agentes do setor.

Equipa da Cooprofar durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
Equipa da Cooprofar na Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“Mais do que um distribuidor, acreditamos que as relações devem ser construídas numa lógica de parceria e colaboração permanente. Esse é verdadeiramente o espírito da Cooprofar.”

Tecnologia ao serviço da cadeia de abastecimento

Assim, com cinco plataformas logísticas e presença consolidada no mercado, a Cooprofar tem vindo a investir na modernização dos seus processos. A utilização de novas tecnologias e de inteligência artificial nas plataformas de maior dimensão permite uma gestão mais rápida e eficaz dos pedidos e do inventário.

“Tudo isto só é possível mantendo inalterados os valores que nos definem desde a nossa fundação: a integridade, a excelência e a colaboração.”

A distribuição farmacêutica mostra, assim, que a inovação não acontece apenas nos laboratórios. Também na logística, na gestão de stocks e na capacidade de resposta se constroem soluções que impactam diretamente a vida dos utentes.

Farmácias comunitárias reforçam proximidade ao cidadão

Porém, as farmácias comunitárias continuam a ser um dos pontos de contacto mais próximos entre os cidadãos e o sistema de saúde.

No entanto, para muitos portugueses, o farmacêutico é o primeiro profissional de saúde a quem recorrem para esclarecer dúvidas, acompanhar tratamentos, receber aconselhamento ou aceder a serviços de prevenção.

Na Expofarma, este papel de proximidade voltou a estar em destaque.

Uma parceria cada vez mais forte com o SNS

Para Ema Paulino, Presidente da Associação Nacional das Farmácias, as farmácias têm vindo a ganhar maior integração na jornada de saúde das pessoas, em articulação com o Serviço Nacional de Saúde.

Ema Paulino, Presidente da Associação Nacional das Farmácias, durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
Ema Paulino Presidente da ANF destaca papel das farmácias | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“Temos feito um trabalho importante com o Serviço Nacional de Saúde no sentido de integrar as farmácias na jornada de saúde das pessoas.”

O impacto das farmácias na vida dos portugueses

Porém, a responsável destaca o exemplo da vacinação como uma das áreas onde esta colaboração tem tido resultados expressivos.

“No primeiro ano de implementação tivemos cerca de 2.500 farmácias participantes, num universo de 2.920 farmácias existentes em Portugal.”

Todavia, esta adesão demonstra a disponibilidade das farmácias para assumirem um papel mais ativo na resposta aos desafios da saúde pública. A cobertura territorial, a proximidade e a relação de confiança com os cidadãos tornam as farmácias comunitárias uma peça cada vez mais importante no acesso aos cuidados de saúde.

O utente no centro de todo o sistema

Contudo, apesar da evolução tecnológica e científica, o objetivo final continua a ser o mesmo: melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Participantes da Expofarma 2026 durante um momento de convívio e networking no Centro de Congressos de Lisboa.
Participantes da Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

O utente é hoje mais informado, mais exigente e mais participativo nas decisões relacionadas com a sua saúde. Procura rapidez, proximidade, confiança e acompanhamento personalizado.

Mais informação, mais proximidade

Este novo perfil exige uma maior articulação entre indústria farmacêutica, distribuidores, farmácias e profissionais de saúde.

Num país com uma população cada vez mais envelhecida e com maior prevalência de doenças crónicas, a humanização dos cuidados assume uma importância crescente. Mais do que disponibilizar medicamentos, importa garantir informação, aconselhamento e acompanhamento ao longo da jornada de saúde.

A farmácia comunitária, pela sua proximidade, tem aqui um papel decisivo. Mas esse papel só é plenamente eficaz quando existe uma cadeia bem articulada, desde a produção até à dispensa final ao utente.

Uma cadeia de valor ao serviço da saúde

A principal mensagem deixada pela Expofarma é clara: nenhum interveniente consegue responder sozinho aos desafios do futuro.

A indústria farmacêutica desenvolve soluções. A distribuição assegura eficiência e disponibilidade. As farmácias garantem proximidade e aconselhamento. Os utentes dão sentido a todo este trabalho.

Por isso, quando estes pilares funcionam em conjunto, o resultado é uma saúde mais acessível, mais humana e mais preparada para responder às necessidades dos portugueses. Mais do que uma feira profissional, a Expofarma voltou a mostrar a importância de um setor que trabalha diariamente nos bastidores da saúde. Um setor onde a inovação, a confiança e a colaboração continuam a ser essenciais para construir melhores respostas para todos.

Da Indústria ao Utente: Uma Cadeia de Confiança

Profissionais conversam e estabelecem contactos durante a Expofarma 2026 na FIL.
Networking marca primeiro dia da Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

Por José António Carvalho

A saber, o setor farmacêutico português vive um momento de transformação. A inovação, a digitalização, os medicamentos genéricos, a automedicação responsável, a distribuição farmacêutica e o papel das farmácias comunitárias estão hoje mais ligados do que nunca. Por detrás de cada medicamento que chega ao balcão da farmácia existe uma cadeia de valor que envolve indústria farmacêutica, distribuidores, farmácias, profissionais de saúde e utentes. Todos desempenham um papel essencial para garantir uma saúde mais próxima, segura e acessível. Foi precisamente esta visão integrada que marcou a última edição da Expofarma, realizada no Centro de Congressos de Lisboa. O evento voltou a reunir alguns dos principais intervenientes do setor, num espaço de reflexão sobre o presente e o futuro da saúde em Portugal.

Numa reportagem exclusiva do Twenty4news realizada durante a Expofarma 2026, reunimos testemunhos de alguns dos principais protagonistas do setor farmacêutico português para perceber como indústria, distribuidores e farmácias estão a preparar o futuro da saúde em Portugal.

Indústria farmacêutica aposta na confiança e na inovação

Por esta razão, a indústria farmacêutica continua a ser um dos motores da saúde. Desenvolve soluções, responde às necessidades dos consumidores e contribui para a sustentabilidade do sistema, seja através de medicamentos inovadores, produtos de autocuidado ou medicamentos genéricos. Para Gabriela Alves, Diretora de Marketing da Bene Farmacêutica, a confiança é um dos pilares mais importantes da relação entre marcas, profissionais de saúde e consumidores.

A confiança continua a ser um valor essencial

“A Bene Farmacêutica tem marcas icónicas que inspiram muita confiança, quer aos profissionais de saúde quer aos consumidores e doentes. Temos a força de uma marca icónica como o Ben-u-ron, que nos permite estar muito próximos do canal farmácia.”

A responsável sublinha ainda que, no mundo do autocuidado e da automedicação, é essencial oferecer produtos seguros e informação clara aos consumidores.

Licínio Pereira, Senior Product Manager da marca Ben-u-ron na Bene Farmacêutica, defende que manter viva uma marca madura exige consistência, proximidade e capacidade de adaptação.

“As marcas não evoluem por si só. Precisam de se reinventar de acordo com aquilo que os consumidores necessitam. O que está subjacente à marca Ben-u-ron é a confiança.”

A confiança surge, assim, como um elemento central no contacto entre a indústria, as farmácias e os utentes.

O papel dos genéricos no futuro da saúde

Filipe Rama, Diretor Comercial da TOWA Pharmaceutical Portugal, destaca o peso dos medicamentos genéricos no mercado nacional e na sustentabilidade do sistema de saúde.

Stand da TOWA Pharmaceutical Portugal durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
TOWA Pharmaceutical Portugal na Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“O core business da TOWA continua a ser o mercado dos medicamentos genéricos, embora exista uma tendência para alargar a nossa atividade à área dos OTC.”

Segundo Filipe Rama, o mercado farmacêutico português deverá manter-se estável nos próximos anos, com crescimento sustentado pela inovação e pela poupança gerada através dos genéricos.

“A minha previsão é que a Indústria Farmacêutica continue forte e robusta, afirmando-se como um dos motores de uma das principais economias do nosso país.”

Nesse sentido, as perspetivas apresentadas pelos responsáveis da Bene Farmacêutica e da TOWA Pharmaceutical Portugal refletem a confiança do setor no futuro do mercado farmacêutico nacional, onde a combinação entre inovação, acessibilidade, sustentabilidade e proximidade continuará a desempenhar um papel determinante na resposta às necessidades dos portugueses.

Distribuição farmacêutica garante eficiência e segurança

Desta forma, entre a indústria e a farmácia existe uma estrutura logística essencial. A distribuição farmacêutica garante que os medicamentos e produtos de saúde cheguem às farmácias em tempo útil, com segurança e em condições adequadas.

Este trabalho, muitas vezes invisível para o utente, é fundamental para o funcionamento de todo o sistema.

Contudo, para Natércia Moreira, Diretora de Marketing da Cooprofar, a distribuição farmacêutica deve ser vista como uma relação de parceria com a indústria, as farmácias e os restantes agentes do setor.

Equipa da Cooprofar durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
Equipa da Cooprofar na Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“Mais do que um distribuidor, acreditamos que as relações devem ser construídas numa lógica de parceria e colaboração permanente. Esse é verdadeiramente o espírito da Cooprofar.”

Tecnologia ao serviço da cadeia de abastecimento

Assim, com cinco plataformas logísticas e presença consolidada no mercado, a Cooprofar tem vindo a investir na modernização dos seus processos. A utilização de novas tecnologias e de inteligência artificial nas plataformas de maior dimensão permite uma gestão mais rápida e eficaz dos pedidos e do inventário.

“Tudo isto só é possível mantendo inalterados os valores que nos definem desde a nossa fundação: a integridade, a excelência e a colaboração.”

A distribuição farmacêutica mostra, assim, que a inovação não acontece apenas nos laboratórios. Também na logística, na gestão de stocks e na capacidade de resposta se constroem soluções que impactam diretamente a vida dos utentes.

Farmácias comunitárias reforçam proximidade ao cidadão

Porém, as farmácias comunitárias continuam a ser um dos pontos de contacto mais próximos entre os cidadãos e o sistema de saúde.

No entanto, para muitos portugueses, o farmacêutico é o primeiro profissional de saúde a quem recorrem para esclarecer dúvidas, acompanhar tratamentos, receber aconselhamento ou aceder a serviços de prevenção.

Na Expofarma, este papel de proximidade voltou a estar em destaque.

Uma parceria cada vez mais forte com o SNS

Para Ema Paulino, Presidente da Associação Nacional das Farmácias, as farmácias têm vindo a ganhar maior integração na jornada de saúde das pessoas, em articulação com o Serviço Nacional de Saúde.

Ema Paulino, Presidente da Associação Nacional das Farmácias, durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
Ema Paulino Presidente da ANF destaca papel das farmácias | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“Temos feito um trabalho importante com o Serviço Nacional de Saúde no sentido de integrar as farmácias na jornada de saúde das pessoas.”

O impacto das farmácias na vida dos portugueses

Porém, a responsável destaca o exemplo da vacinação como uma das áreas onde esta colaboração tem tido resultados expressivos.

“No primeiro ano de implementação tivemos cerca de 2.500 farmácias participantes, num universo de 2.920 farmácias existentes em Portugal.”

Todavia, esta adesão demonstra a disponibilidade das farmácias para assumirem um papel mais ativo na resposta aos desafios da saúde pública. A cobertura territorial, a proximidade e a relação de confiança com os cidadãos tornam as farmácias comunitárias uma peça cada vez mais importante no acesso aos cuidados de saúde.

O utente no centro de todo o sistema

Contudo, apesar da evolução tecnológica e científica, o objetivo final continua a ser o mesmo: melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Participantes da Expofarma 2026 durante um momento de convívio e networking no Centro de Congressos de Lisboa.
Participantes da Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

O utente é hoje mais informado, mais exigente e mais participativo nas decisões relacionadas com a sua saúde. Procura rapidez, proximidade, confiança e acompanhamento personalizado.

Mais informação, mais proximidade

Este novo perfil exige uma maior articulação entre indústria farmacêutica, distribuidores, farmácias e profissionais de saúde.

Num país com uma população cada vez mais envelhecida e com maior prevalência de doenças crónicas, a humanização dos cuidados assume uma importância crescente. Mais do que disponibilizar medicamentos, importa garantir informação, aconselhamento e acompanhamento ao longo da jornada de saúde.

A farmácia comunitária, pela sua proximidade, tem aqui um papel decisivo. Mas esse papel só é plenamente eficaz quando existe uma cadeia bem articulada, desde a produção até à dispensa final ao utente.

Uma cadeia de valor ao serviço da saúde

A principal mensagem deixada pela Expofarma é clara: nenhum interveniente consegue responder sozinho aos desafios do futuro.

A indústria farmacêutica desenvolve soluções. A distribuição assegura eficiência e disponibilidade. As farmácias garantem proximidade e aconselhamento. Os utentes dão sentido a todo este trabalho.

Por isso, quando estes pilares funcionam em conjunto, o resultado é uma saúde mais acessível, mais humana e mais preparada para responder às necessidades dos portugueses. Mais do que uma feira profissional, a Expofarma voltou a mostrar a importância de um setor que trabalha diariamente nos bastidores da saúde. Um setor onde a inovação, a confiança e a colaboração continuam a ser essenciais para construir melhores respostas para todos.

Da Indústria ao Utente: Uma Cadeia de Confiança

Profissionais conversam e estabelecem contactos durante a Expofarma 2026 na FIL.
Networking marca primeiro dia da Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

Por José António Carvalho

A saber, o setor farmacêutico português vive um momento de transformação. A inovação, a digitalização, os medicamentos genéricos, a automedicação responsável, a distribuição farmacêutica e o papel das farmácias comunitárias estão hoje mais ligados do que nunca. Por detrás de cada medicamento que chega ao balcão da farmácia existe uma cadeia de valor que envolve indústria farmacêutica, distribuidores, farmácias, profissionais de saúde e utentes. Todos desempenham um papel essencial para garantir uma saúde mais próxima, segura e acessível. Foi precisamente esta visão integrada que marcou a última edição da Expofarma, realizada no Centro de Congressos de Lisboa. O evento voltou a reunir alguns dos principais intervenientes do setor, num espaço de reflexão sobre o presente e o futuro da saúde em Portugal.

Numa reportagem exclusiva do Twenty4news realizada durante a Expofarma 2026, reunimos testemunhos de alguns dos principais protagonistas do setor farmacêutico português para perceber como indústria, distribuidores e farmácias estão a preparar o futuro da saúde em Portugal.

Indústria farmacêutica aposta na confiança e na inovação

Por esta razão, a indústria farmacêutica continua a ser um dos motores da saúde. Desenvolve soluções, responde às necessidades dos consumidores e contribui para a sustentabilidade do sistema, seja através de medicamentos inovadores, produtos de autocuidado ou medicamentos genéricos. Para Gabriela Alves, Diretora de Marketing da Bene Farmacêutica, a confiança é um dos pilares mais importantes da relação entre marcas, profissionais de saúde e consumidores.

A confiança continua a ser um valor essencial

“A Bene Farmacêutica tem marcas icónicas que inspiram muita confiança, quer aos profissionais de saúde quer aos consumidores e doentes. Temos a força de uma marca icónica como o Ben-u-ron, que nos permite estar muito próximos do canal farmácia.”

A responsável sublinha ainda que, no mundo do autocuidado e da automedicação, é essencial oferecer produtos seguros e informação clara aos consumidores.

Licínio Pereira, Senior Product Manager da marca Ben-u-ron na Bene Farmacêutica, defende que manter viva uma marca madura exige consistência, proximidade e capacidade de adaptação.

“As marcas não evoluem por si só. Precisam de se reinventar de acordo com aquilo que os consumidores necessitam. O que está subjacente à marca Ben-u-ron é a confiança.”

A confiança surge, assim, como um elemento central no contacto entre a indústria, as farmácias e os utentes.

O papel dos genéricos no futuro da saúde

Filipe Rama, Diretor Comercial da TOWA Pharmaceutical Portugal, destaca o peso dos medicamentos genéricos no mercado nacional e na sustentabilidade do sistema de saúde.

Stand da TOWA Pharmaceutical Portugal durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
TOWA Pharmaceutical Portugal na Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“O core business da TOWA continua a ser o mercado dos medicamentos genéricos, embora exista uma tendência para alargar a nossa atividade à área dos OTC.”

Segundo Filipe Rama, o mercado farmacêutico português deverá manter-se estável nos próximos anos, com crescimento sustentado pela inovação e pela poupança gerada através dos genéricos.

“A minha previsão é que a Indústria Farmacêutica continue forte e robusta, afirmando-se como um dos motores de uma das principais economias do nosso país.”

Nesse sentido, as perspetivas apresentadas pelos responsáveis da Bene Farmacêutica e da TOWA Pharmaceutical Portugal refletem a confiança do setor no futuro do mercado farmacêutico nacional, onde a combinação entre inovação, acessibilidade, sustentabilidade e proximidade continuará a desempenhar um papel determinante na resposta às necessidades dos portugueses.

Distribuição farmacêutica garante eficiência e segurança

Desta forma, entre a indústria e a farmácia existe uma estrutura logística essencial. A distribuição farmacêutica garante que os medicamentos e produtos de saúde cheguem às farmácias em tempo útil, com segurança e em condições adequadas.

Este trabalho, muitas vezes invisível para o utente, é fundamental para o funcionamento de todo o sistema.

Contudo, para Natércia Moreira, Diretora de Marketing da Cooprofar, a distribuição farmacêutica deve ser vista como uma relação de parceria com a indústria, as farmácias e os restantes agentes do setor.

Equipa da Cooprofar durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
Equipa da Cooprofar na Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“Mais do que um distribuidor, acreditamos que as relações devem ser construídas numa lógica de parceria e colaboração permanente. Esse é verdadeiramente o espírito da Cooprofar.”

Tecnologia ao serviço da cadeia de abastecimento

Assim, com cinco plataformas logísticas e presença consolidada no mercado, a Cooprofar tem vindo a investir na modernização dos seus processos. A utilização de novas tecnologias e de inteligência artificial nas plataformas de maior dimensão permite uma gestão mais rápida e eficaz dos pedidos e do inventário.

“Tudo isto só é possível mantendo inalterados os valores que nos definem desde a nossa fundação: a integridade, a excelência e a colaboração.”

A distribuição farmacêutica mostra, assim, que a inovação não acontece apenas nos laboratórios. Também na logística, na gestão de stocks e na capacidade de resposta se constroem soluções que impactam diretamente a vida dos utentes.

Farmácias comunitárias reforçam proximidade ao cidadão

Porém, as farmácias comunitárias continuam a ser um dos pontos de contacto mais próximos entre os cidadãos e o sistema de saúde.

No entanto, para muitos portugueses, o farmacêutico é o primeiro profissional de saúde a quem recorrem para esclarecer dúvidas, acompanhar tratamentos, receber aconselhamento ou aceder a serviços de prevenção.

Na Expofarma, este papel de proximidade voltou a estar em destaque.

Uma parceria cada vez mais forte com o SNS

Para Ema Paulino, Presidente da Associação Nacional das Farmácias, as farmácias têm vindo a ganhar maior integração na jornada de saúde das pessoas, em articulação com o Serviço Nacional de Saúde.

Ema Paulino, Presidente da Associação Nacional das Farmácias, durante a Expofarma 2026 no Centro de Congressos de Lisboa.
Ema Paulino Presidente da ANF destaca papel das farmácias | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

“Temos feito um trabalho importante com o Serviço Nacional de Saúde no sentido de integrar as farmácias na jornada de saúde das pessoas.”

O impacto das farmácias na vida dos portugueses

Porém, a responsável destaca o exemplo da vacinação como uma das áreas onde esta colaboração tem tido resultados expressivos.

“No primeiro ano de implementação tivemos cerca de 2.500 farmácias participantes, num universo de 2.920 farmácias existentes em Portugal.”

Todavia, esta adesão demonstra a disponibilidade das farmácias para assumirem um papel mais ativo na resposta aos desafios da saúde pública. A cobertura territorial, a proximidade e a relação de confiança com os cidadãos tornam as farmácias comunitárias uma peça cada vez mais importante no acesso aos cuidados de saúde.

O utente no centro de todo o sistema

Contudo, apesar da evolução tecnológica e científica, o objetivo final continua a ser o mesmo: melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Participantes da Expofarma 2026 durante um momento de convívio e networking no Centro de Congressos de Lisboa.
Participantes da Expofarma 2026 | Créditos: © Twenty4news | José A. Carvalho

O utente é hoje mais informado, mais exigente e mais participativo nas decisões relacionadas com a sua saúde. Procura rapidez, proximidade, confiança e acompanhamento personalizado.

Mais informação, mais proximidade

Este novo perfil exige uma maior articulação entre indústria farmacêutica, distribuidores, farmácias e profissionais de saúde.

Num país com uma população cada vez mais envelhecida e com maior prevalência de doenças crónicas, a humanização dos cuidados assume uma importância crescente. Mais do que disponibilizar medicamentos, importa garantir informação, aconselhamento e acompanhamento ao longo da jornada de saúde.

A farmácia comunitária, pela sua proximidade, tem aqui um papel decisivo. Mas esse papel só é plenamente eficaz quando existe uma cadeia bem articulada, desde a produção até à dispensa final ao utente.

Uma cadeia de valor ao serviço da saúde

A principal mensagem deixada pela Expofarma é clara: nenhum interveniente consegue responder sozinho aos desafios do futuro.

A indústria farmacêutica desenvolve soluções. A distribuição assegura eficiência e disponibilidade. As farmácias garantem proximidade e aconselhamento. Os utentes dão sentido a todo este trabalho.

Por isso, quando estes pilares funcionam em conjunto, o resultado é uma saúde mais acessível, mais humana e mais preparada para responder às necessidades dos portugueses. Mais do que uma feira profissional, a Expofarma voltou a mostrar a importância de um setor que trabalha diariamente nos bastidores da saúde. Um setor onde a inovação, a confiança e a colaboração continuam a ser essenciais para construir melhores respostas para todos.