“Investigação mostra como a pressão social e digital influencia a forma de estar dos portugueses”

Por José António Carvalho
Um estudo qualitativo da Behavior Insights Unit da CATÓLICA-LISBON, apoiado pela Limiano, analisou como os portugueses percecionam e exprimem o seu “feitio” (traços de personalidade) em diferentes contextos sociais. A investigação, baseada em 50 entrevistas, revelou uma tensão crescente entre autenticidade e aceitação social, sobretudo no trabalho, na escola, no ambiente familiar e nas redes sociais.
Os participantes afirmaram sentir pressão para ajustar ou esconder traços pessoais para serem aceites, o que conduz ao apagamento da espontaneidade e autenticidade, com efeitos emocionais como ansiedade, insegurança ou “cansaço identitário”. Muitos associam o regresso ao trabalho ou à escola à necessidade de “voltar a esconder o feitio” para evitar conflitos.
O estudo distingue “feitio” (traço estável e próprio da personalidade) de “defeito” (característica negativa, específica e potencialmente modificável), sublinhando que essa fronteira é fluida e dependente do contexto. Traços como teimosia ou timidez podem ser vistos como virtudes ou defeitos, conforme a situação e a maturidade da pessoa.
Num registo mais leve, os entrevistados identificaram o “mau feitio simpático” – rabugice ou impaciência que, em relações próximas, é percebida com carinho e autenticidade quando existe empatia e coerência.
Em suma, o estudo evidencia que os portugueses negociam constantemente os seus traços de personalidade com o meio social, num contexto cada vez mais normativo e reforçado pelas redes digitais.
Fonte: Lift Consulting



