
Por José António Carvalho
Portugal amanheceu mais silencioso.
Assim foi, partiu Francisco Pinto Balsemão — jornalista, político, visionário e, acima de tudo, um homem que acreditou que a palavra podia mudar o mundo. Desta forma, aos 88 anos, despede-se deixando um legado de coragem, inteligência e um compromisso inabalável com a liberdade.
Como, Fundador do Expresso e criador da SIC, Balsemão não ergueu apenas meios de comunicação — ergueu espaços de diálogo, de pensamento e de verdade. Contudo, foi através da informação que procurou servir o país e consolidar a jovem democracia que nascia depois de abril.
Por outro lado, na política, marcou presença como fundador e militante número 1 do PSD, e assumiu a chefia do Governo entre 1981 e 1983. Fê-lo com a mesma serenidade com que escrevia e pensava: sem ruído, mas com convicção. Sempre com o sentido de dever e o respeito pelo diálogo como bússolas do seu caminho.
Apesar de tudo, mais do que um líder, Francisco Pinto Balsemão foi um exemplo. Um homem discreto, íntegro, movido por valores que hoje parecem raros — a ética, o rigor, a responsabilidade.
Acreditava que o jornalismo não é apenas contar o que acontece, mas compreender o que importa. Que informar é servir. Que a liberdade é o oxigénio da democracia.
Era um verdadeiro jornalista, não servia poderes, partidos ou interesses. Servia a sociedade com a coragem de quem sabia que informar é, antes de tudo, um ato moral. A sua lealdade não era o destaque de uma notícia, mas a realidade,a dignidade das pessoas, e o direito de cada cidadão saber o que realmente acontece. Nesse sentido, nunca lhe faltou a independência moral e espírito crítico.
Hoje, o país despede-se de um homem bom, lúcido e profundamente humano. A sua voz ficará para sempre entrelaçada com a história da liberdade portuguesa. O seu trabalho continuará a inspirar quem acredita que pensar livremente é o primeiro passo para transformar o mundo.
Francisco Pinto Balsemão
1937 — 2025
Que descanse em paz o homem que fez da palavra um pilar da liberdade.



